O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou, em 8 de abril, a Operação “Cavalo de Troia” nos municípios de Laranjal e Além Paraíba, na Zona da Mata mineira, com o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão — três em Laranjal e quatro em Além Paraíba. A ação, realizada com apoio das Polícias Civil e Militar, teve como objetivo reunir provas para investigações de possíveis crimes contra a Administração Pública, com diligências em residências de investigados e sedes de empresas.
As investigações começaram após a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Muriaé identificar que duas empresas de Além Paraíba passaram, a partir de 2024, a vencer repetidamente licitações promovidas pela Prefeitura de Laranjal. Durante apurações preliminares, foram encontrados fortes indícios de irregularidades, como superfaturamento e emissão de notas fiscais frias, além de suspeitas de que produtos pagos não teriam sido entregues integralmente, apesar de constarem como recebidos oficialmente.
Outro ponto relevante é que os representantes legais das duas empresas mantêm relacionamento afetivo, o que levanta suspeitas de atuação coordenada e estruturada para fraudar processos licitatórios. As investigações indicam um possível esquema organizado com o objetivo de frustrar a concorrência e direcionar contratos públicos.
Uma das empresas investigadas, com atuação voltada à gestão de pessoas, venceu dois chamamentos públicos importantes: em 2024, para administrar a Instituição de Longa Permanência de Laranjal, e em 2025, para gerir o Hospital Municipal. No entanto, verificou-se que os atestados de capacidade técnica apresentados eram falsos. Além disso, a empresa teria alterado sua Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) poucos dias antes da abertura dos certames, possivelmente para atender exigências e indicar conhecimento prévio das licitações.
A segunda empresa, também de Além Paraíba, teria criado uma sede fictícia em Laranjal apenas para cumprir exigências de localização previstas nos editais. Essa empresa participou de licitações com objetos diversos — como fornecimento de material de escritório, caixas-d’água, alimentos e até drone pulverizador — o que levantou dúvidas sobre sua real capacidade operacional. Há indícios de que os atestados técnicos utilizados por essa empresa foram fornecidos pela outra investigada, evidenciando possível conluio.
Com o avanço das investigações após o cumprimento dos mandados, o Ministério Público apura a extensão das irregularidades. Caso os indícios sejam confirmados, os envolvidos poderão ser denunciados por crimes como fraude a licitações, associação criminosa e lavagem de capitais. Caso o Ministério Público apresente a denúncia, os nomes dos envolvidos serão conhecidos. Além Paraíba tem ficado famosa pelas ações do Ministério Público para coibir o que ao final nada mais é que desvio de dinheiro público.
Fonte: Site oficial do MPMG
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